SMED. O Antídoto contra altos tempos de Setups.

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SMED??? Agora vai aqui um tema específico para aqueles que atuam em ambiente de fábrica, de produção. Para muitas empresas um do desperdícios que consumem muita capacidade produtiva é o tempo de setup, ou troca de ferramentas. Infelizmente, este tempo está presente e para muitas organizações é expressivo.

Mas para aqueles que são leigos, do que se trata o tempo de setup? Basta pensar na corrida de Fórmula 1 (F1), o famoso pit stop, seja para abastecimento ou troca de pneus, ou o que quer que seja… aquele tempo em que o carro está parado no box, é o tempo de setup. Infelizmente, é necessário, mas suficiente para perder a corrida, logo, deve ser muito bem administrado.

Nas empresas, há máquinas e equipamentos, sejam isolados, sejam em linhas ou células, qualquer que seja a tecnologia: fundição, usinagem, tratamento superficial, envase, controle de qualidade, etc… todas estas máquinas, podem produzir um mix de produtos, tipos diferentes de itens vendáveis e para que a máquina pare de fabricar um produto A e para dar início a produção do produto B, todo este tempo que está no meio, é o que chamamos de tempo de setup ou simplesmente tempo de troca de ferramentas.

Tecnicamente o tempo de setup é o tempo decorrido entre a ultima peça boa “A” e a primeira peça aprovada (boa) “B”, levando em consideração toda troca de ferramenta, ajustes necessários, medições, etc até que se aprove a primeira peça “B”.

Já atuei em indústrias que o tempo de setup de uma linha era 15 a 20 horas. Cito isso apenas para mostrar na prática o quanto este tempo é expressivo para algumas empresas. Qualquer tempo ganho no setup de uma empresa assim é benefício direto na produtividade, se convertendo em horas produtivas e consequentemente faturamento.

Da mesma forma, há empresas com redundâncias de equipamentos ou mesmo com capacidade produtiva subdimensionada (sobrando capacidade), que não faz o mínimo sentido qualquer esforço para ganhar tempo de setup, sendo então o SMED uma ferramenta para uso futuro.

Para as organizações que o tempo de setup vale ouro, o pensamento Lean traz uma ferramenta que veste como uma luva. O SMED. Single Minute Exchange of Die. Se traduzir no pé da letra temos “Troca de ferramentas em único dígito”. Na prática, o título da ferramenta é agressivo, é isso mesmo. A proposta ideal é a troca de ferramentas em menos de 10 min, ou seja, único dígito. Impossível? Talvez… mas o que mais importa são os ganhos e a melhoria contínua na redução do tempo de setup. Pouco importa se o único dígito está longe demais de sua realidade.

Há muitos livros e autores renomados que tratam o tempo de setup ou SMED. Entre eles é respeitável o japonês Shingeo Shingo. Este traz abordagem e ideias espetaculares para dispositivos de troca rápida e também não posso deixar de mencionar, para Poka Yokes também. Podemos tratar este tema futuramente, os dispositivos a prova de falhas (Poka Yokes).

Simplificando a metodologia SMED, temos alguns passos para aplicação e busca da redução do tempo de setup. Mas antes do passo a passo o conceito matador da metodologia:

Setup interno: todas as atividades que só podem ser realizadas com a máquina parada;

Setup externo: todas as atividades que podem ser executadas com equipamento em andamento.

E este conceito de fato é matador. É aqui que mora o segredo, o desafio e toda criatividade do time. É neste conceito que está o pulo do gato da metodologia SMED.

Portanto, a seguir o passo a passo simplificado do SMED:

Formar o time. Capriche na escolha das pessoas. Nunca abra mão disso, é o diferencial de qualquer trabalho de melhoria. Para o time segue algumas funções:

– Líder: será o lider do evento, desejável que tenha conhecimento de ferramentas Lean e vivência com eventos SMED;

– Operador: deixe que um ou mais operadores participem do trabalho. Peça para executarem o setup da forma com que sempre fizeram. Logicamente, na prática há tendência dos mesmos tentarem desempenho melhor, devido a mobilização de pessoas ao redor;

– Cronometrista: a pessoas que vai cronometrar as atividades, colocar cada elemento de trabalho do setup, ou seja, cada atividade ou operação (soltar, apertar, retirar molde, colocar molde, centralizar ferramenta, ajustar ferramenta, etc). Peça para o operador ir narrando o setup para facilitar as anotações e tomada de tempo;

– Sombra: a pessoa vai fazer um croqui da estação de trabalho e fazer um diagrama de espaguete. Esta pessoa irá seguir o operador e pode opcionalmente contar quantidade de passos dados pelo operador para efetuar o setup. No final do trabalho teremos o diagrama de espaguete preenchido e a kilometragem percorrida pelo operador no setup. Geralmente estes dados são impactantes;

– Analistas ou observadores: a pessoa ou pessoas que ficaram analisando o setup, anotando observações e até mesmo erros ou problemas que saltam os olhos e por que não ideias iniciais de melhoria;

– Camera man: o setup pode ser filmado. Aliás altamente recomendável que se filme. Irá facilitar muito as medições de tempo, definição dos elementos de trabalho do setup além de ser possível assistir e analisar o trabalho posteriormente quantas vezes se desejar. Dica: verifique bateria e quantidade de memória antes de filmar o setup. Não fique na mão por detalhes simples como estes.

– Forasteiro: está maluco? Não… é isso mesmo. Forasteiro é a pessoa de fora, alguem fora da operação, por que não uma pessoa do financeiro, do planejamento, enfim, alguem com senso crítico e que não faz parte do seu dia a dia as operações de fábrica e de setup. Será uma visão “descontaminada” dos demais. É sempre bom ter uma visão de “fora”.

– Apadrinhador: é o Champion, o grande interessado no resultado do trabalho. Ele irá pover recursos e quebrar possíveis barreiras.

Escolha do equipamento ou da linha. Vale a pena escolher equipamentos ou linhas / células em que o tempo de setup é o pior (maior). Certamente será um campo fértil para realização do trabalho e mostra de bons resultados para replicar para demais máquinas após o sucesso do primeiro trabalho.

– Programar dias ou semana SMED. O trabalho de SMED, é como se fosse um Kaizen. Aliás não deixa de ser, inclusive muitas empresas chamam de Kaizen de Setup ou simplesmente SMED. E como todo bom Kaizen, a atividade deve planejar as pessoas e dias que irão ocorrer. Recomendado que o líder do SMED desenhe a agenda e valide com Champion.

– Montagem da agenda: Deixaremos para dar continuidade neste artigo no próximo evento. Ficou curioso? Não perca… E se quer se especializar, vá procurando por Shingeo Shingo até que traga novidades.

Valeu?!

E não podia deixar de dizer: pratique!!! Vale a pena!!!

Seguir o passo a passo aqui é certeza de bons resultados.

Forte abraços!

Alexandre Ávila

 

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